Os textos antigos não tinham a pontuação e
o espaçamento que conhecemos hoje; eram mais confusos. A evolução da escrita se
deu no decorrer dos séculos. Os textos gregos antigos, por exemplo, eram escritos
sem parágrafos. Isso tornava a leitura difícil. Muito tempo depois, a escrita ocidental adotou o uso de duas
letras S (SS) no início do parágrafo. Depois os dois esses
acabaram virando §, ainda usado
na linguagem jurídica. Por fim, acabaram adotando o espaçamento inicial da primeira
linha, como conhecemos hoje. Visualmente melhor, o espaço dá clareza à escrita e delimita visualmente
as divisões que o fluxo do texto pede.
Depois de todo esse trabalho, depois de
séculos de evolução, resolveram acabar com o tal espaço. Em alguns casos ainda
pulam uma linha como forma de marcar visualmente as divisões. Menos mal. Em
outros casos (principalmente em textos manuscritos) simplesmente ignoraram esse
uso. Ao lê-los, parece que voltamos à Idade Média ou Antiga. A mancha gráfica
toma a página toda e não vemos qualquer tipo de espaço.
Enfim, o parágrafo e outros espaçamentos
do texto devem ser vistos como recursos de significação. O vazio ajuda a compor
a mancha gráfica e não é possível ignorá-los em um estágio avançado de
letramento. Não podemos cobrar perfeição dos alunos nos anos iniciais, mas quem
escreve para o grande público (na imprensa e na internet) não pode menosprezar os
espaços vazios que ajudam a compor a mancha gráfica de um gênero textual. A
poesia concreta é o exemplo mais sensacional da importância de manejar bem os vazios do texto.
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