domingo, 17 de novembro de 2013

Os espaços vazios da escrita



       Os textos antigos não tinham a pontuação e o espaçamento que conhecemos hoje; eram mais confusos. A evolução da escrita se deu no decorrer dos séculos. Os textos gregos antigos, por exemplo, eram escritos sem parágrafos. Isso tornava a leitura difícil. Muito tempo depois, a escrita ocidental adotou o uso de duas letras S (SS) no início do parágrafo. Depois os dois esses acabaram virando §, ainda usado na linguagem jurídica. Por fim, acabaram adotando o espaçamento inicial da primeira linha, como conhecemos hoje. Visualmente melhor, o espaço dá clareza à escrita e delimita visualmente as divisões que o fluxo do texto pede.

       Depois de todo esse trabalho, depois de séculos de evolução, resolveram acabar com o tal espaço. Em alguns casos ainda pulam uma linha como forma de marcar visualmente as divisões. Menos mal. Em outros casos (principalmente em textos manuscritos) simplesmente ignoraram esse uso. Ao lê-los, parece que voltamos à Idade Média ou Antiga. A mancha gráfica toma a página toda e não vemos qualquer tipo de espaço.

       Enfim, o parágrafo e outros espaçamentos do texto devem ser vistos como recursos de significação. O vazio ajuda a compor a mancha gráfica e não é possível ignorá-los em um estágio avançado de letramento. Não podemos cobrar perfeição dos alunos nos anos iniciais, mas quem escreve para o grande público (na imprensa e na internet) não pode menosprezar os espaços vazios que ajudam a compor a mancha gráfica de um gênero textual. A poesia concreta é o exemplo mais sensacional da importância de manejar bem os vazios do texto.

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